quarta-feira, 11 de maio de 2011

O medo de amar

Hoje em dia adolescentes tem medo de amar, ou medo de se entregar demais e dar tudo errado, acabar sofrendo. Mas isso não acontece somente agora, isso vem desde as décadas de 1850 e 1860, em que um grupo de poetas universitários de São Paulo e do Rio de janeiro que deram origem ao Ultra-Romantismo. Normalmente a figura da mulher é associado a um ser assexuado como anjo, criança, virgem, etc. sendo assim tendo um certo medo de se entregar aos sentidos e ferir a pureza da mulher amada, então o amor físico é retratado somente de modo superficial. Em algumas passagens no poema “Amor e medo”de Casimiro de Abreu, evidencia seu medo de amar:

“No fogo vivo eu me abrasara inteiro!
Ébrio e sedento na fugaz vertigem
Vil, machucava com meu dedo impuro
As pobres flores de grinalda virgem!

Vampiro infame, eu sorveria em beijos
Toda a inocência que teu lábio encerra,
E tu serias no lascivo abraço
Anjo enlodado nos pauis da terra.

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Se de ti fujo é que te adoro e muito
És bela – eu moço; tens amor, eu – medo!...” 

Tipicamente adolescentes observam de longe a mulher amada, sem ter com ela nenhum compromisso. Trata-se de um comportamento resultante do medo de amar, ligada à dúvida e ao prazer reprimido e cuja saída é a morte. O medo de amar é definido assim a séculos e com o tempo vem  mudando.

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