No caminho para meu quarto não
pude deixar de perceber que cada quarto tinha o nome do inquilino na porta,
tinha uma sequencia com Flayton, Carlos, Marcos, João e na porta do meio quarto
meio que apagado, mas dava para ler o nome Luís. Isso explicava por que uma
inicial “L” no topo da folha aquilo deveria ser deste tal de Luís. Quando abrir
a gaveta deparei com uma...foto de um rapaz perto de uma árvore e não dava para
ver ele direito, tirei minhas próprias conclusões que aquele era Luís e que ele
tinha conseguido sair.
Mas como conseguiu sair?
Recuperou-se ou ele fugiu? Seria quase impossível fugir daquele lugar parecia
muito bem vigiado tinha enfermeiros para todos os lados e seguranças, as portas
tinham trancas automáticas. Voltei ao pátio e fui acompanhar os garotos com os
olhos para ver a rotina de cada um deles. E ficar sem fazer nada não era bom
por que eu começava a lembrar do garoto misterioso e a escultura da borboleta.
Aquela tarde foi entediante, mas
eu pude conhecer características daqueles rapazes e observar cada movimento e
canto daquele lugar. A refeição daquele lugar não era boa eles deixavam em
nossos quartos o café da manha, o almoço sem sal, café da tarde e o jantar
segundo os garotos sempre era sopa de legumes. Logo depois do jantar cada um de
nós fomos para os seus devidos quartos e ás nove horas as portas se travaram.
Naquele momento me bateu uma angústia, por que
aquilo estava acontecendo comigo? Comecei a chorar de desespero, não sabia mais
o que era real, eu queria liberdade somente isso. Adormeci com os olhos
lacrimejando, e pedia mais que qualquer coisa no mundo que aquilo passasse
rápido ou que fosse somente um pesadelo. Mas não demorou muito ate acordar com
o barulho das portas destravando, mas ainda era noite! Levantei-me e fui em
direção à porta e quando abrir e sair no corredor reparei que todos os garotos
continuavam dentro de seu quartos.
Percebi um vulto no final do
corredor, estava com muito medo, mas eu
não liguei continuei com meu propósito queria muito sair daquele lugar e
descobrir quem era o dono daquele bilhete, ou quem são eles. Seguir aquele
vulto ate no final do corredor e chegando o tapete que ficava ao chão estava
movido e havia uma porta aberta que dava em um andar abaixo do Hospital. Desci
as escadas e cheguei a outro corredor, mas esse corredor tinha túmulos e logo a
frente tinham várias portas fechadas.
- Alguém está ai?
Sentir aquele vento leve de novo,
e quando olhei para traz tinha uma mancha negra no teto. Gritei e sair correndo
em direção à escada em que eu tinha descido, o vento foi aumentando e ficando
forte e escutava asas batendo, quando olhei para traz vi aquela mancha chegando
perto de mim e percebi que as bordas da mancha assemelhavam-se com asas e
soltavam uma coloração lilás no ar. Então subir deliberadamente as escadas e
voltei ao meu quarto, agora eu sabia o motivo pelo qual todos os garotos
permaneceram em seus quartos.
Agora parecia mesmo está em um de
meus pesadelos. No Dia seguinte os meus olhos estavam pregando como se tivesse
jogado cola em meus olhos, mas não hesitei em perguntar o Marcos sobre o
acontecido, então ele ficou apreensivo. E disse que o prédio era mal
assombrado. Mas eu não acreditei afinal isso não existia, entretanto o que era
aquilo que eu tinha visto.
Tinha uma certeza, queria muito
sair daquele lugar e voltar para minha vida normal, mas primeiro eu precisaria
voltar no passado para descobrir. Seja o que for aquilo da noite passada,
dentro deste lugar tem muita coisa escondida, agora já sabia que o lugar que o
bilhete referia-se era aqui e os donos do bilhete eram os garotos do hospício.
Enfim agora havia uma pista por
onde começar, então chamei os garotos e com todos na sala eu perguntei sobre o
bilhete. Imaginava que eles não fossem responder ou mesmo falassem que não
sabia de nada, porém eles não conseguiriam aguentar a verdade por muito tempo
eu ficaria no pé deles.
- Foram vocês que mandaram este
bilhete para mim?
- Que bilhete??
As últimas pessoas que pensaria
que fossem me achar louco por falar no bilhete seriam aqueles rapazes, mas
estava enganado. A reação e a fisionomia do rosto de cada um ficaram
indiferentes com a minha revelação do bilhete, portanto não hesitei e os
mostrei o bilhete e pela primeira vez Carlos abriu sua boca.
- Onde foi entregue este bilhete?
- Na minha casa, por que conhece
esta letra?
- Não conheço.
Percebi que Carlos estava
mentindo e que ele conhecia sim aquela letra, pois não negava o espanto
expresso em seu rosto. Estava tentando ser amigo deles e resolver as coisas
numa boa, mas não tive outra solução, Peguei um pedaço de ferro que estava no
chão perto do sofá puxei Flayton pelo cabelo e o rendi, colocando a ponta do
ferro em seu pescoço e ameacei os rapazes para falar ou iria mata-lo.
Entretanto com essa reação sem pensar estava confirmando para eles e para os
médicos que realmente eu era louco, suicida e descontrolado. Não demorou muito
quando os enfermeiros apareceram e pela primeira vez a medica apareceu também.
Eu não teria coragem de matar uma
pessoa, logo estava somente forçando a barra para que os rapazes dissessem a
respeito de quem era a letra que constava no bilhete. Rapidamente os
enfermeiros vieram chegando perto de mim, tiraram o ferro de minha mão e
aplicaram um sedativo e de repente tudo ficou muito lento e as imagens foram
ficando embaçadas e tudo ficou escuro.
Enquanto estava na escuridão dos meus
pensamentos, sonhava com um campo cheio de flores com todos os rapazes de
Norton Houston e outro rapaz, aquele mesmo que eu vira duas vezes. Mas
infelizmente acordei e deparei-me com um quarto todo escuro e uma refeição ao
chão do meu quarto próximo à porta. Minha cabeça ainda rodava um pouco parecia
uma ressaca a necessidade de água era continua e já era quase meia noite,
quando repetiu aquele mesmo processo da noite passada e quando minha porta
destravou...




