segunda-feira, 29 de abril de 2013

Mundo paralelo 5.



No caminho para meu quarto não pude deixar de perceber que cada quarto tinha o nome do inquilino na porta, tinha uma sequencia com Flayton, Carlos, Marcos, João e na porta do meio quarto meio que apagado, mas dava para ler o nome Luís. Isso explicava por que uma inicial “L” no topo da folha aquilo deveria ser deste tal de Luís. Quando abrir a gaveta deparei com uma...foto de um rapaz perto de uma árvore e não dava para ver ele direito, tirei minhas próprias conclusões que aquele era Luís e que ele tinha conseguido sair.
Mas como conseguiu sair? Recuperou-se ou ele fugiu? Seria quase impossível fugir daquele lugar parecia muito bem vigiado tinha enfermeiros para todos os lados e seguranças, as portas tinham trancas automáticas. Voltei ao pátio e fui acompanhar os garotos com os olhos para ver a rotina de cada um deles. E ficar sem fazer nada não era bom por que eu começava a lembrar do garoto misterioso e a escultura da borboleta.
Aquela tarde foi entediante, mas eu pude conhecer características daqueles rapazes e observar cada movimento e canto daquele lugar. A refeição daquele lugar não era boa eles deixavam em nossos quartos o café da manha, o almoço sem sal, café da tarde e o jantar segundo os garotos sempre era sopa de legumes. Logo depois do jantar cada um de nós fomos para os seus devidos quartos e ás nove horas as portas se travaram.
 Naquele momento me bateu uma angústia, por que aquilo estava acontecendo comigo? Comecei a chorar de desespero, não sabia mais o que era real, eu queria liberdade somente isso. Adormeci com os olhos lacrimejando, e pedia mais que qualquer coisa no mundo que aquilo passasse rápido ou que fosse somente um pesadelo. Mas não demorou muito ate acordar com o barulho das portas destravando, mas ainda era noite! Levantei-me e fui em direção à porta e quando abrir e sair no corredor reparei que todos os garotos continuavam dentro de seu quartos.
Percebi um vulto no final do corredor, estava com muito medo,  mas eu não liguei continuei com meu propósito queria muito sair daquele lugar e descobrir quem era o dono daquele bilhete, ou quem são eles. Seguir aquele vulto ate no final do corredor e chegando o tapete que ficava ao chão estava movido e havia uma porta aberta que dava em um andar abaixo do Hospital. Desci as escadas e cheguei a outro corredor, mas esse corredor tinha túmulos e logo a frente tinham várias portas fechadas.
- Alguém está ai?
Sentir aquele vento leve de novo, e quando olhei para traz tinha uma mancha negra no teto. Gritei e sair correndo em direção à escada em que eu tinha descido, o vento foi aumentando e ficando forte e escutava asas batendo, quando olhei para traz vi aquela mancha chegando perto de mim e percebi que as bordas da mancha assemelhavam-se com asas e soltavam uma coloração lilás no ar. Então subir deliberadamente as escadas e voltei ao meu quarto, agora eu sabia o motivo pelo qual todos os garotos permaneceram em seus quartos.
Agora parecia mesmo está em um de meus pesadelos. No Dia seguinte os meus olhos estavam pregando como se tivesse jogado cola em meus olhos, mas não hesitei em perguntar o Marcos sobre o acontecido, então ele ficou apreensivo. E disse que o prédio era mal assombrado. Mas eu não acreditei afinal isso não existia, entretanto o que era aquilo que eu tinha visto.
Tinha uma certeza, queria muito sair daquele lugar e voltar para minha vida normal, mas primeiro eu precisaria voltar no passado para descobrir. Seja o que for aquilo da noite passada, dentro deste lugar tem muita coisa escondida, agora já sabia que o lugar que o bilhete referia-se era aqui e os donos do bilhete eram os garotos do hospício.
Enfim agora havia uma pista por onde começar, então chamei os garotos e com todos na sala eu perguntei sobre o bilhete. Imaginava que eles não fossem responder ou mesmo falassem que não sabia de nada, porém eles não conseguiriam aguentar a verdade por muito tempo eu ficaria no pé deles.
- Foram vocês que mandaram este bilhete para mim?
- Que bilhete??
As últimas pessoas que pensaria que fossem me achar louco por falar no bilhete seriam aqueles rapazes, mas estava enganado. A reação e a fisionomia do rosto de cada um ficaram indiferentes com a minha revelação do bilhete, portanto não hesitei e os mostrei o bilhete e pela primeira vez Carlos abriu sua boca.
- Onde foi entregue este bilhete?
- Na minha casa, por que conhece esta letra?
- Não conheço.
Percebi que Carlos estava mentindo e que ele conhecia sim aquela letra, pois não negava o espanto expresso em seu rosto. Estava tentando ser amigo deles e resolver as coisas numa boa, mas não tive outra solução, Peguei um pedaço de ferro que estava no chão perto do sofá puxei Flayton pelo cabelo e o rendi, colocando a ponta do ferro em seu pescoço e ameacei os rapazes para falar ou iria mata-lo. Entretanto com essa reação sem pensar estava confirmando para eles e para os médicos que realmente eu era louco, suicida e descontrolado. Não demorou muito quando os enfermeiros apareceram e pela primeira vez a medica apareceu também.
Eu não teria coragem de matar uma pessoa, logo estava somente forçando a barra para que os rapazes dissessem a respeito de quem era a letra que constava no bilhete. Rapidamente os enfermeiros vieram chegando perto de mim, tiraram o ferro de minha mão e aplicaram um sedativo e de repente tudo ficou muito lento e as imagens foram ficando embaçadas e tudo ficou escuro.
Enquanto estava na escuridão dos meus pensamentos, sonhava com um campo cheio de flores com todos os rapazes de Norton Houston e outro rapaz, aquele mesmo que eu vira duas vezes. Mas infelizmente acordei e deparei-me com um quarto todo escuro e uma refeição ao chão do meu quarto próximo à porta. Minha cabeça ainda rodava um pouco parecia uma ressaca a necessidade de água era continua e já era quase meia noite, quando repetiu aquele mesmo processo da noite passada e quando minha porta destravou...

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