Então já sabia qual era a última
coisa a fazer para continuar minha missão e salvar a vida do garoto, jamais
pensaria nisto enfim não tinha alternativa somente um daquela história deveria
sair vivo e sabia que já tinha vivido no mundo lá fora e que aquele garoto
nunca tinha visto um sol, um céu maravilhoso, ou mesmo, ter brincado com outras
crianças resumindo ele nunca tinha vivido nada e ele tinha toda uma vida pela
frente e eu não.
Então a quinta coisa da qual
teríamos que usar para poder continuar e vencer era passar por cima de um dos
maiores valores, dar a minha vida por alguém, ou seja, daria minha vida para um
garoto ser feliz e conseguir ter pelo menos uma vida adulta saudável por que a
infância foi realmente podre.
Estava observando o que estava em
minha volta, o garoto estava concentrado olhando para o céu e admirava tudo,
olhei para ele e para aquela linda borboleta tatuada em seu braço. Então
decidir o que iria fazer entreguei ele a chave e ele me olhou com cara que não
iria sem mim.
- Não vou sem você não terá, dar
para irmos juntos.
- Não, se você ficar corre o
risco de morrer. E eu já vivi tudo que tinha pra viver e você ate hoje não
viveu nada. Vá e descubra quantas coisas bonitas tem no mundo e quantas cores
maravilhosas têm na natureza, a não ser aquele lugar branco e mórbido que você
viveu ate o dia de hoje.
Mandei pegar a chave e esperar um
pouquinho ate que eu distraísse os capatazes e nunca tive tanta certeza do que
tinha que fazer, não sabia o que fariam comigo se matariam ou se eles me
queriam vivo. Mas subir em cima da
parede que escondíamos e gritei para eles. Naquele momento pulei ao chão e fui
em direção a eles e começamos a lutar. Dei uma olhada para traz e o garoto
estava em frente ao portão e deu uma olhada para mim com os olhos cheios de
lágrimas, então virei o rosto para ele tirei uma faca da minha perna e finquei
no peito de um dos capatazes.
As vezes temos que abrir mãos de
algumas coisas para poder fazer o certo, pois a vida é complicada, porém nós
temos todas as respostas que precisamos e realmente só temos que saber a hora
de usá-la e acreditar que é a resposta certa. Recebi uma pancada na cabeça e
cair ao chão, meus ouvidos pareciam que estava com um algodão o som entrava
abafado e escutava um toc-toc-toc e
depois meus olhos foram fechando devagar e não pude mais captar nada, não tinha
mais nenhum sentido e toda a minha vida, todas as mortes passavam literalmente
pela minha memória e sentir que estava morrendo aos poucos e mergulhei em uma
escuridão permanente.
- Luis? Está tudo bem?
- oi? Minha cabeça esta doendo
muito.
Escutava quase parando aquele
barulho toc-toc e parou literalmente minha visão estava meio embaçada e aquela
moça quem era ela e onde estava? Mas
logo percebi que parecia um consultório e me lembrava de bastante coisa
Flayton, Marcos, João, Carlos e Pedro. Tudo estava passando pela minha cabeça,
tudo que tinha passado com eles e aquele lugar, na minha infância e com certeza
aquela era Florita minha médica.
Olhei para meus braços estava
todos roxos parecia que tinha apanhado de alguém, e os meus braços todos
furados e com pintas que marcavam muitas injeção que tinha tomado e minhas
veias estavam altas, quando não estava estouradas, então meu pesadelo tinha
acabado? Realmente agora seria somente eu e minha vida normal de sempre em
cripta?
- Luis?
- sim Dr. Florita?
- Esta se sentindo bem vou pedir
para os enfermeiros levar você ate um quarto onde poderá ser diagnosticado e
poderá descansar.
- Muito obrigado Dr. Florita
Realmente estava muito cansado e
como tinha parado na sala de Florita e por que estava tão cansado. Agora lembrava-me
de meus pais e meus amigos da escola e como todos mudaram comigo quando eu fui para
o hospital e como todos olhavam para mim com cara de dó. Sempre fui muito
observador e conseguia ver isso no rosto de cada um deles.
Então no caminho para o quarto que eles iriam me
acomodar passei observando tudo que estava a minha volta, então não pude deixar
de perceber algumas coisas estranhas...

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